Recanto de meus pensamentos...

"É a minha vida... é agora ou nunca"

Textos


A Visão Divina Dos Infernos Celestiais (reedição)

A VISÃO DIVINA DOS INFERNOS CELESTIAIS

 

 

Foi ao ascender ao inferno

que pude rever minha face esquecida.

Tantos rostos sofridos,

reflexos de uma doce esquizofrenia.

 

Em cada estadia no sofrimento,

que incendeia corpo a dentro

enquanto a pele se arrepia

com o abraço gélido da "culpanhia".

 

 

eu não conseguia lembrar...

do aconchego de um colo,

é no vazio das sombras

que me encontro ou me desolo.

 

 

No céu

Ou no inferno?

É verão

ou inverno?

Não encontro o código certo

pra trancar o peito aberto.

 

 

Não existe inferno certo

para cada atitude errada.

É nesse estado que exibo

minha carapuça rasgada,

minha impotência de mamífero

que ainda não perdeu

o cordão do seu umbigo,

afastando-me, cada vez mais,

do humano que fui lá atrás.

 

Quando sucumbimos ao calor do momento

quase nunca suportamos de pé

ao ver o destino em chamas,

ilustrado por rostos angustiados sem fé,

uma sinfonia de gemidos

que consome a alma.

 

 

No céu

Ou no inferno?

É verão

ou inverno?

Não encontro o código certo

pra trancar o peito aberto.

 

 

Nunca estive no inferno,

nem astral nem carnal,

até o instante em que olhei pra baixo

e avistei um lugar celestial.

 

Feliz daquele que sente o azul do céu

mesmo na linha divisória.

Conscientes os que percebem que estão nele

e ascendem em sua glória.

 

 

Tolos, os que fixam numa sina,

e deixam o umbigo atrair todo o olhar:

para cima,

vendo apenas o que quer,

não o que ainda têm...

ou o que já é.

 

Eu carrego os três na consciência

em uma única existência.

 

 

A pior parte do inferno

é olhar para todos

e não ver ninguém além de mim.

Uma legião de demônios com minha face de marfim...

chicoteando miseráveis

de meus próprios traços

sem chegar ao fim!

 

 

No céu

Ou no inferno?

É verão

ou inverno?

Não encontro o código certo

pra trancar o peito aberto.

 

 

A dor satisfatória de agredir,

mesclada ao deleite insuportável do sentir

ao estar sendo ferido

por meu reflexo distorcido.

 

Jamais estive no inferno,

pois não há lembranças minhas do pós-morte.

É o inferno que arde aqui dentro,

e não há tempo nem sorte

para apagar...

meu coração infame do lamento.

 

 

No céu

Ou no inferno?

É verão

ou inverno?

Não encontro o código certo

pra trancar o peito aberto.

 

sexta, 06 de setembro de 2019

reeditado em terça, 19 de novembro de 2024

reeditado em segunda, 01 de junho de 2026

Max Moraes
Enviado por Max Moraes em 01/06/2026
Alterado em 01/06/2026
Copyright © 2026. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras